TAYANE SANSCHRÍ

sábado, 15 de janeiro de 2011

Bem me quer [...] mal me quer



Amar pessoas que não nos amam pode causar desespero e, em casos extremos, a perda da personalidade.


Amo quem não me ama. Não amo quem me ama. Esta equação vai desencadear uma situação de sofrimento e solidão, na qual o indivíduo não conseguirá estabelecer laços amorosos saudáveis com o outro. No inicio, pode-se pensar simplesmente na falta de sorte no amor, quando na realidade o que está se repetindo é a mesma escolha errada. Sim, a pessoa escolhe gostar de alguém que nem nota sua existência e muitas vezes essa opção é inconsciente, ou seja, passa despercebida em meio a tantos outros acontecimentos.
Para a psicóloga e jornalista, Heloíza Grobman, o problema responsável por essa condição é 'não amar quem nos ama'. Seguindo a linha da Psicanálise, Heloíza explica que essa pessoa cria uma situação amorosa impossível de se realizar. "Algumas repetem histórias desse tipo por toda a vida e dizem-se infelizes no amor, ou nutrem um profundo sentimento de inferioridade e crenças negativas sobre si mesmos'.
Muitas vezes, a pessoa não tem consciência de que escolhe sempre quem não a ama e permanece batalhando pela aprovação do amado. No entanto, não se pode confundir essa situação com um quadro típico de final de relacionamento. Tem casos em que mesmo após o rompimento, a pessoa continua amando o ex, que já superou o sentimento. "Pode até ter uma semelhança com uma situação de baixa auto-estima, só que com um detalhe importante: quem continua amando não conseguiu elaborar o luto, a perda, e optou em ficar preso a alguém que não quer mais", justifica a psicológa.
No cnsultório, é comum pacientes relatarem que saíram com outras pessoas para tentar esquecer o amado, e tudo o que conseguiram foi sentir nojo. "Entretanto, quando perguntamos do que exatamente a pessoa sente nojo ela não sabe responder, pois é uma barreira que ela mesma criou, inconscientemente", ressalta Heloíza.
Entre os principais motivos dessa situação estão a baixa auto - estima e o complexo de inferioridade. Compensando a desaprovação ou crítica que a pessoa mantém sobre si mesma, elabora-se o desejo de aprovação e de sedução por responsabilidade do outro, a quem é atribuído um grande valor. Na cabeça dessa pessoa, o outro que gosta dela é inferior a ela mesma e, por isso, alguém que não vale a pena. Heloíza enfatiza que "a pessoa sabe que o outro a ama, mas não se entusiasma, pois acredita que este outro é inferior. Existe um esquema de valores que essa pessoa traz que acaba gerando uma série de discussões".

A pessoa escolhe gostar de alguém que nem nota sua existência e muitas vezes essa opção é inconsciente.



E para ressaltar ainda mais que quem a ama não é bom o suficiente, a pessoa começa a relacionar uma série de defeitos que muitas vezes não são reais. O trabalho clínico nesse caso será pautado na questão de que o innndividuo não é capaz de amar quem o ama. Tentar entender oque ele está vendo naquele que o ama. " Geralmente encontramos vários defeitos na pessoa. Ele é feio, gordo e chato. O amado apresenta os mesmos defeitos, ou até piores, mas nele pode, pois se trata de alguém melhor". Só que este indivíduo não entende a falat de lógica; "ele não consegue perceber que de fato o defeito que essa outra pessoa tem é apenaas amá-la e querê-la".


SÓ QUERO QUE VOCÊ ME QUEIRA


A pessoa ama quem não lhe corresponde, atribui as qualidades que gostaria dde ter a este ser 'mado', colocando-se no lugar de quem não tem essas características. "Mas, o que cria a situaçã ode ficação é a necessidade de ser o desejo deste outro que lhe rejeita, pois somente assim resgataria e se sentiria possuidora dos atributos que vê neste outro", explica Heloízza Grobman. Nesse caso, o amante precisa do amado que, por sua vez, não precissa do amante. Essa dependência dificulta a aceitação do luto, da perda, pois é como aceitar não ter os atributos que tanto deseja, já que não foram confirmados pelo amado.
Há quem compare essa situação com uam característica masoquista de personalidade. a psicológa da linha cognitiva, Roseli Ferreira, diz que a pessoa busca sempre se aproximar e se appaixonar por alguém que nem a enxerga, 'por uam característica de personalidade na qual ela se sente bem no papel de sofredora, incompreendida e infeliz. Bancando o papel de coitada". Roseli também relaciona esse comportamento com uma auto-estima rebaixada.
Outro fator é o medo de se envolver. "É cômodo se apaixonar pro alguém que não a vê, assim não tem que conviver, se abrir, se envolver", destaca a psicológa. Esse medo pdoe ter origem tanto na baixo auto-estima, quanto em algum trauma de infância. "Por exemplo, a pessoa vê os pais brigando constantemente e passa a não querer um relacionamento daquela forma". Nesse caso, a pessoa fecha-se para o amor ou procura amar aquele que não a ama.
Uma das maiores barreiras para a solução desse problema é que a pessoa se enxerga infeliz e não percebe que toda a situação é fruto de sua própria escolha. Além disso, existe uma imaturidade ampla na sua personalidade. O esquema de valores é errado. "Existem pessoas superiores (aquele amado), ela e os inferiores (quem a ama)", justificca Heloíza.
No pensamento do amante, que se sente inferior ao amado, não é possível valorizar-ssse por não se achar suficientemente bonita ou interessante. "Uma faceta desta personalidade, que necessita da aprovação do outro sobre si, é que ela não é capaz de confiar em sua prórpia autocrítica e em seus valores". De acordo com a psicológa, as pessoas mais suscetíveis a esse tipo de situação são aquelas dependentes, inseguras quanto as suas próprias opiniões e que não conseguem separar-se do outro.
O grande problema não é o acontecimento de um episódio isolado na vida da pessoa, mas, sim, a repetição constante, que a levará a buscar tratamento psicológico, uma vez que ela vai se depredando nessas situações. Esse comportamento de 'amar quem não me ama' não é patológico até determinado momento.
Quando recorre-se ao tratamento, o paciente poderá perceber que a reciprocidade é fundamental em um relacionamento.
"Ao parender a lidar com essas situações, o paciente torna-se mais forte, experiente, atento e seletivo, priorizando o encontro das afinidades, o prazer das trocas de realização sexual e, principalmente, da reciprocidade", ressalta a psicológa e jornalista.

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